quarta-feira, 4 de maio de 2011

A MORTE DE OSAMA BIN LADEN APÓS DEZ ANOS DOS ATAQUES...

Os Estados Unidos anunciaram que uma força de elite do exército, após uma operação de 40 minutos, matou Osama Bin Laden, que estava escondido em uma mansão fortificada no Paquistão. Segundo o anúncio, o líder da Al-Qaeda e mentor de uma série de atentados terroristas -inclusive o do 11 de setembro- teria sido morto com um tiro na cabeça e seu corpo, jogado no mar, como forma de evitar a criação de um local de peregrinação. Exames de DNA serão efetuados em amostras de sangue retiradas do corpo para identificar definitivamente o terrorista saudita.

Osama era o homem mais procurado do mundo desde os atentados de 2001, nos Estados Unidos, e sua captura ou morte, uma obsessão da política norte-americana. Ao longo dos anos, muita notícias sobre sua saúde ruim e possível morte foram espalhadas, mas nunca confirmadas.

O presidente Barack Obama
anunciou
a morte de Osama em rede nacional, dizendo que a "justiça havia sido feita". A ação bem sucedida veio em bom tempo para Obama, que enfrenta baixa popularidade e problemas políticos e econômicos. O desaparecimento de Osama, apesar do forte valor simbólico, não significa um golpe de morte na Al-Qaeda, pois o grupo se destaca exatamente pela existência de células independentes entre si, não havendo um líder único de operações. Além disso, o Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu comunicado alertando norte-americanos no exterior sobre os riscos de ataques em resposta à morte de Osama. Ainda assim, líderes do mundo inteiro tiveram reação positiva ao fato, e comemorações ocorreram em diversas partes dos Estados Unidos, inclusive em frente da Casa Branca, no momento em que Obama fazia o anúncio.

 Disponível em:
http://jornaldedebates.uol.com.br/debate/qual-significado-morte-osama/15784 acesso em 04/05/2011.
 



Para debater:
Qual o significado da morte de Osama Bin Laden?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

OS EGÍPCIOS E A BUSCA DA DEMOCRACIA

MIREM-SE NO EXEMPLO DOS EGÍPCIOS
                                                     Augusto Nunes
Que fazer?, vivem perguntando nos sites e blogs da internet os incontáveis brasileiros indignados com a procissão de escândalos, afrontas e patifarias ─ todos aflitos com a impotência aparente. Se os partidos de oposição não se opõem, se não existe nenhuma organização capaz de aglutiná-los, se faltam líderes dispostos a conduzir a multidão de inconformados, como impedir que o Brasil fique cada vez mais parecido com um imenso clube dos cafajestes?
As interrogações foram desfeitas neste fim de semana. Mirem-se no exemplo dos egípcios, devem dizer uns aos outros os que testemunharam a agonia e a queda da ditadura de Hosni Mubarak. Não há como adivinhar o epílogo do drama ainda em curso, e a construção de uma democracia genuína é mais demorada e complexa do que o afastamento de um tirano. Seja qual for o desfecho, nada poderá revogar as luminosas lições do primeiro ato, encerrado com o despejo de Mubarak.
Uma delas, velha como o mundo, ensina que a surdez dos monarcas só pode ser superada pela voz rouca das ruas. Quem quer mudar as coisas precisa sair de casa, reiteraram os manifestantes da Praça Tahrir. Quem quer mudar as coisas sem deixar a sala deve contentar-se em mudar o canal de TV com disparos do controle remoto. Mas a rebelião popular no Egito também ensinou que é possível fazer por outros meios, entre os quais a internet, o que deveria ser feito pelos políticos e pelos partidos.
A mobilização de milhões de oposicionistas prescindiu de líderes carismáticos. Em seu lugar, agiram ativistas da web. As manifestações não foram articuladas por organizações políticas, cuja atuação foi acessória. Muito mais eficaz foi a multiplicação de correntes nas redes sociais. A Irmandade Muçulmana esteve todo o tempo de tocaia, mas ainda tenta pegar carona num fenômeno que não pilotou. A virada de página no Egito resultou, essencialmente, da exaustão dos mais velhos, da impaciência dos jovens e das aspirações libertárias comuns.
Mubarak e seus comparsas acordaram tarde. Quando buscaram controlar o inimigo eletrônico, a multidão já estava nas ruas e nas praças. A consolidação da democracia no Egito decerto exigirá articulações mais complexas, e é cedo para saber se chegará a bom porto. Neste aspecto, os brasileiros estão em vantagem. O que ainda é um sonho para os egípcios já existe no Brasil. Aqui, não há uma ditadura a derrubar e um regime democrático a erigir. Há um Estado de Direito a defender.
O aumento salarial que os parlamentares se concederam é um caso de polícia? A quarta eleição de José Sarney para a presidência do Senado é intolerável? A Polícia Federal vai varrendo furtivamente para baixo do tapete o escândalo da Receita Federal? O Planalto prepara a absolvição da delinquente Erenice Guerra? A máquina administrativa está infestada de meliantes? O Executivo e o Legislativo tecem ostensivamente a trama concebida para obrigar o Judiciário a livrar da cadeia a quadrilha do mensalão? Se consegue acabar com uma ditadura em três semanas, a multidão indignada levará menos tempo para acabar com a impunidade dos corruptos.
Mirem-se no exemplo dos egípcios.