terça-feira, 24 de novembro de 2015

Desastre ambiental em Minas Gerais e Espírito Santo! Todos cegos, menos o nosso poeta! Que medidas nos faltam? Quais os caminhos?

OLHEM BEM AS MONTANHAS (Carlos Drummond de Andrade)
Olhai as montanhas,
Olhai as montanhas, mineiros,
Como a Serra do Curral, mutilada,
Vós que não as defendeis, olhai-as enquanto vivem pois,
A golpes de tratores vão sendo assassinadas,
Pela culpa única de suas entranhas de ferro.
Mineiros, por que não percebeis que essa ferrugem que vos empoeira os olhos,
Essa terra, vermelha, é o vosso sangue,
Injustamente derramado, na luta que vos abate.
Olhai as montanhas, mineiros,
Como o Itabirito solitário,
Vós que as desprezais, olhai-as enquanto vivem, pois,
A patadas de caminhões vão sendo massacradas,
Pelo crime hediondo de te recortarem o céu,
Mineiros, fechai os vossos olhos e tentai sentir pela última vez,
Esse imenso abraço verde que vos envolve.
Abraço de amor, abraço feito de terra,
Chorai a imponência que vos formou o caráter.
Olhai as montanhas, mineiros,
Como o Itacolomi dos inconfidentes,
Vós que vos omitis, olhai-as enquanto vivem pois,
Em centenas de vagões, como urnas funerárias,
Vão sendo levados seus pedaços, inermes.



quarta-feira, 4 de maio de 2011

A MORTE DE OSAMA BIN LADEN APÓS DEZ ANOS DOS ATAQUES...

Os Estados Unidos anunciaram que uma força de elite do exército, após uma operação de 40 minutos, matou Osama Bin Laden, que estava escondido em uma mansão fortificada no Paquistão. Segundo o anúncio, o líder da Al-Qaeda e mentor de uma série de atentados terroristas -inclusive o do 11 de setembro- teria sido morto com um tiro na cabeça e seu corpo, jogado no mar, como forma de evitar a criação de um local de peregrinação. Exames de DNA serão efetuados em amostras de sangue retiradas do corpo para identificar definitivamente o terrorista saudita.

Osama era o homem mais procurado do mundo desde os atentados de 2001, nos Estados Unidos, e sua captura ou morte, uma obsessão da política norte-americana. Ao longo dos anos, muita notícias sobre sua saúde ruim e possível morte foram espalhadas, mas nunca confirmadas.

O presidente Barack Obama
anunciou
a morte de Osama em rede nacional, dizendo que a "justiça havia sido feita". A ação bem sucedida veio em bom tempo para Obama, que enfrenta baixa popularidade e problemas políticos e econômicos. O desaparecimento de Osama, apesar do forte valor simbólico, não significa um golpe de morte na Al-Qaeda, pois o grupo se destaca exatamente pela existência de células independentes entre si, não havendo um líder único de operações. Além disso, o Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu comunicado alertando norte-americanos no exterior sobre os riscos de ataques em resposta à morte de Osama. Ainda assim, líderes do mundo inteiro tiveram reação positiva ao fato, e comemorações ocorreram em diversas partes dos Estados Unidos, inclusive em frente da Casa Branca, no momento em que Obama fazia o anúncio.

 Disponível em:
http://jornaldedebates.uol.com.br/debate/qual-significado-morte-osama/15784 acesso em 04/05/2011.
 



Para debater:
Qual o significado da morte de Osama Bin Laden?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

OS EGÍPCIOS E A BUSCA DA DEMOCRACIA

MIREM-SE NO EXEMPLO DOS EGÍPCIOS
                                                     Augusto Nunes
Que fazer?, vivem perguntando nos sites e blogs da internet os incontáveis brasileiros indignados com a procissão de escândalos, afrontas e patifarias ─ todos aflitos com a impotência aparente. Se os partidos de oposição não se opõem, se não existe nenhuma organização capaz de aglutiná-los, se faltam líderes dispostos a conduzir a multidão de inconformados, como impedir que o Brasil fique cada vez mais parecido com um imenso clube dos cafajestes?
As interrogações foram desfeitas neste fim de semana. Mirem-se no exemplo dos egípcios, devem dizer uns aos outros os que testemunharam a agonia e a queda da ditadura de Hosni Mubarak. Não há como adivinhar o epílogo do drama ainda em curso, e a construção de uma democracia genuína é mais demorada e complexa do que o afastamento de um tirano. Seja qual for o desfecho, nada poderá revogar as luminosas lições do primeiro ato, encerrado com o despejo de Mubarak.
Uma delas, velha como o mundo, ensina que a surdez dos monarcas só pode ser superada pela voz rouca das ruas. Quem quer mudar as coisas precisa sair de casa, reiteraram os manifestantes da Praça Tahrir. Quem quer mudar as coisas sem deixar a sala deve contentar-se em mudar o canal de TV com disparos do controle remoto. Mas a rebelião popular no Egito também ensinou que é possível fazer por outros meios, entre os quais a internet, o que deveria ser feito pelos políticos e pelos partidos.
A mobilização de milhões de oposicionistas prescindiu de líderes carismáticos. Em seu lugar, agiram ativistas da web. As manifestações não foram articuladas por organizações políticas, cuja atuação foi acessória. Muito mais eficaz foi a multiplicação de correntes nas redes sociais. A Irmandade Muçulmana esteve todo o tempo de tocaia, mas ainda tenta pegar carona num fenômeno que não pilotou. A virada de página no Egito resultou, essencialmente, da exaustão dos mais velhos, da impaciência dos jovens e das aspirações libertárias comuns.
Mubarak e seus comparsas acordaram tarde. Quando buscaram controlar o inimigo eletrônico, a multidão já estava nas ruas e nas praças. A consolidação da democracia no Egito decerto exigirá articulações mais complexas, e é cedo para saber se chegará a bom porto. Neste aspecto, os brasileiros estão em vantagem. O que ainda é um sonho para os egípcios já existe no Brasil. Aqui, não há uma ditadura a derrubar e um regime democrático a erigir. Há um Estado de Direito a defender.
O aumento salarial que os parlamentares se concederam é um caso de polícia? A quarta eleição de José Sarney para a presidência do Senado é intolerável? A Polícia Federal vai varrendo furtivamente para baixo do tapete o escândalo da Receita Federal? O Planalto prepara a absolvição da delinquente Erenice Guerra? A máquina administrativa está infestada de meliantes? O Executivo e o Legislativo tecem ostensivamente a trama concebida para obrigar o Judiciário a livrar da cadeia a quadrilha do mensalão? Se consegue acabar com uma ditadura em três semanas, a multidão indignada levará menos tempo para acabar com a impunidade dos corruptos.
Mirem-se no exemplo dos egípcios.

domingo, 26 de setembro de 2010

FICHA LIMPA

LEIA O ARTIGO E DEPOIS OPINE:

Caso Ficha Limpa: análise do julgamento do STF

“Um tribunal que atenda a pretensões legítimas da população ao arrepio da Constituição é um tribunal no qual nem o povo pode confiar” – essa é a visão do atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso...

O julgamento da Lei de Ficha Limpa (Lei Complementar n. 135/2010) foi suspenso na madrugada dessa sexta-feira (24/09). O caso em apreço era a candidatura do ex-senador Joaquim Roriz ao governo do Distrito Federal. Roriz renunciou ao mandato de senador em 2007 para fugir do processo de cassação, sendo portanto considerado inelegível para as eleições de 2010, face à alínea “k”, do inciso I do art. 1º da referida lei. Assim foi o entendimento do Tribunal Regional Eleitoral correspondente e do Tribunal Superior Eleitoral, antes de a matéria ser levada ao STF em Recurso Extraordinário.

Mesmo sem pedido expresso do recorrente, o presidente do STF alegou que a aplicação não poderia retroagir à fato ocorrente antes da vigência da lei, e propôs a apreciação da sua Inconstitucionalidade, sob protestos: 
“estamos transformando Recurso Extraordinário em Ação Direta de Inconstitucionalidade”, disse o Ministro Carlos Ayres Britto, logo antes de exarar o famoso “está me parecendo um salto triplo carpado hermenêutico”, criando mais um conceito que será objeto de discussão nas faculdades de Direito nos próximos 30 anos e fará com que mais um milhão de livros seja vendidos com mais uma dessas polêmicas doutrinárias superficiais...

Ironias à parte, o fato é que o presidente do STF propôs a apreciação da Inconstitucionalidade e foi vencido, e 6 ministros contra 4 entenderam que a lei é constitucional: as condições de inelegibilidade não são penas ou sanções, mas critérios que devem ser aferidos no momento do registro da candidatura. A lei não pune o ex-senador pela renúncia; apenas cria um novo requisito para o direito ao registro. Votaram contra, os ministros Gilmar Mendes, Peluso, Marco Aurélio e Celso de Mello.

Porém, ao apreciar o acórdão do TSE no caso concreto, a polêmica foi se a vedação da candidatura de Roriz poderia ser aplicada já para as eleições correntes, antes de se completar um ano de vigência da Lei da Ficha Limpa. Cinco ministros entenderam que não, pois estaria sendo descumprido o art. 16 da Constituição, que diz que “a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”, e no caso, a lei foi sancionada em junho deste ano.

Mas os outros 5 entenderam que a decisão do TSE é plenamente correta e inatacável, pois se embasa na tese de que
 
“O prazo de um ano para a aplicação de lei só se justifica nos casos em que há deformação do processo eleitoral. Ou seja, nos casos em que desequilibra a disputa, beneficiando ou prejudicando determinadas candidaturas. Como a Lei da Ficha Limpa é linear, ou seja, se aplica para todos indistintamente, não se pode afirmar que ela interfere no processo eleitoral. Logo, sua aplicação é imediata.”

Voltando ao julgamento, uma pergunta não pode deixar de ser respondida. Se 6 ministros já entenderam que a lei não é inconstitucional, por que tanta discussão para dizer que ela não pode ser aplicada? Quem alterou o placar? A resposta está nos votos do ministro Toffoli, que considerou que a lei não é inconstitucional, mas que não pode ser aplicada para as eleições de 2010. Com o empate, os ministros debateram por mais tanto tempo a solução, até suspender o julgamento por prazo indeterminado. Tudo em meio a ironias que revelam o desprezo com que se trata o interesse do povo.

Mas a solução estava ali: aplicar o art. 146 do Regimento Interno do STF, que diz que, no empate causado pela falta de um ministro (no caso, o ministro Eros Grau, que se aposentou), deve-se aplicar solução contrária ao recurso, entendimento reforçado pela Súmula Vinculante n. 10. Conquanto a maioria não decidiu que o recurso deve ser provido, o acórdão do TSE deveria continuar válido.

Com a suspensão do julgamento, o STF consegue cumprir seu papel: afastar o cumprimento da lei de Ficha Limpa sem assumir a responsabilidade pelo seu próprio reacionarismo. O argumento legalista do empate encobre o compromisso político de ministros com certos grupos de poder que foram responsáveis pelas suas indicações.

Quando se fala que Joaquim Roriz deve ser barrado porque renunciou ao cargo de senador para escapar de processo por corrupção, esconde-se por si a corrupção. É como se o problema foi apenas ter renunciado, e não o fato de ter renunciado porque “supostamente” é mais um corrupto acusado em vários escândalos e até mesmo filmado distribuindo propina, conforme revelou nada menos que a revista Veja.

O julgamento revela mais uma vez o desprezo do tribunal aos interesses mais legítimos do povo. Aí vem o presidente do STF, e fala que “um tribunal que atenda a pretensões legítimas da população ao arrepio da Constituição é um tribunal no qual nem o povo pode confiar”... mas a própria constituição fala que 
“todo poder emana do povo”, então como se pode admitir que o interesse vem do povo, é legítimo e ainda assim não pode ser aplicado?? Mas a frase de Peluso diz algo mais: que a Constituição está contra o povo: ou se aplica a Constituição, ou se aplica o interesse legítimo do povo. E mais! Se o STF é o guardião da Constituição, então o STF viola os interesses legítimos do povo. É o seu presidente quem fala. E Locke e Rousseau, representantes ideológicos da própria burguesia, no século XVIII já diziam que, quando um poder não atende aos interesses do povo, este tem o direito de se rebelar contra o poder.
 
ALGO MAIS SOBRE AS ELEIÇÕES

E assim, lá se vai mais uma cena da farsa eleitoral. A Lei de Ficha foi aprovada no Congresso, na fluência de todas as negociações imorais que são próprias daquela casa, até fosse aprovada e sancionada já com menos de um ano das eleições. Agora, há o entendimento que ela não se aplica para as eleições de 2010. Abrir-se-á um novo período, até as próximas eleições, de mais barganhas e mensalões em que as leis eleitorais podem ser novamente mudadas e não aplicadas. Isso só revela que o problema das eleições não é a elegibilidade dos candidatos – isso foge ao problema principal.

Em primeiro lugar, a “ficha suja” dos candidatos não se revela na existência de processos judidiais nem tampouco de condenações contra os mesmos. A maior sujeira da bandidagem política do país está no compromisso com as classes dominantes, na ligação inseparável com grandes empresas e latifundiários (que são inclusive os grandes financiadores das campanhas milionárias), no servilismo ao interesse imperialista estrangeiro que permite um modelo econômico atrelado na agiotagem financeira praticada por órgãos como o FMI, na transferência das riquezas nacionais para o exterior, no sistema agrícola latifundiário monocultor de exportação que só explora, expropria e empobrece o povo brasileiro transformando o país numa semi-colônia. Mas, para a “Justiça” brasileira, isso não é crime. Logo, todos eles são “ficha limpa”.

Em segundo lugar, não são a pessoa dos candidatos, mas sim o processo eleitoral, que é corrupto, e assim será qualquer processo eleitoral sob a égide da política imperialista das “eleições livres”. Essa política foi arquitetada pelos estrategistas estadunidense na década de 70, e foi responsável pela substituição, nos países subordinados, das ditaduras militares pelas “ditaduras” civis baseadas em “eleições livres” (e corruptas), a partir de uma transição “lenta, pacífica e gradual”, ou seja, mudando-se tudo para que nada fosse mudado – especialmente as relações reais de poder concentrado nos grupos políticos das classes dominantes.

A corrupção, a compra direta ou indireta de votos, são inerentes ao processo eleitoral, não é nenhuma moralização das eleições ou reforma política que irá mudar esse fato. Isso de confirma quando, cada vez mais, a apresentação de programas de governo é substituída pela imagem dos candidatos trabalhada pelos marqueteiros. Não se apresentam propostas, mas sim fotos, dos candidatos. Na prática, o que vale é o interesse restrito e imediato de cada grupo de poder – ou seja, compra de votos.

Também não se pode exigir que haja discussão real de propostas, quando se trata na realidade de um partido único das elites. Não há diferença entre os candidatos, porque há um partido único. Por exemplo, não há diferença entre as propostas de Dilma e Serra, afinal todos são “santos” e “heróis”. Ronaldo Caiado ataca radicalmente os desmandos do sistema financeiro – e o PSTU também. Mas nenhum candidato – destaque-se: nenhum – ataca a ilegitimidade e a corrupção do processo eleitoral, pois todos fazem parte dele e usam as eleições de alguma forma para o proveito de seu grupo político junto às benesses do Estado.


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* Advogado e professor universitário. Vice-presidente da Associação Internacional dos Advogados do Povo.
** As transcrições do julgamento foram baseadas no texto “Impasse suspende análise da Ficha Limpa no STF”, de Rodrigo Haidar, publicado no informativo Consultor Jurídico em 24/09/2010, disponível em .

debate: 
Como você analisa o impasse ficha limpa no STF para nosso país?

sábado, 14 de agosto de 2010

LIBERDADE DE IMPRENSA X MONOPÓLIO DE EXPRESSÃO: Censura privatizada?

LIBERDADE DE IMPRENSA x LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Para avaliar o caso Bruno é preciso entender como funciona a mídia. Recentemente foi lançado um livro que ajuda a compreender como funciona a mídia no Brasil.
As idéias centrais do livro de Venício A. de Lima não são muitas, mas são fundamentais e foram expostas de maneira bastante profunda, detalhada e didática.
Venício defende a tese de que atualmente há uma diferença entre liberdade de imprensa e liberdade de empresa. Demonstra que, quando afirmam que a liberdade de imprensa está em risco, as empresas de comunicação brasileiras estão apenas reafirmando sua liberdade empresarial. Os conservadores barões da mídia querem continuar a moldar consciências e ditar a agenda política. A informação crucial do livro é a seguinte:
"Nos anos 1990 cerca de nove grupos de empresas familiares controlavam a grande mídia. As famílias eram Abravanel (SBT) Block (Manchete), Civita (Abril), Frias (Folhas), Levy (Gazeta), Marinho (Globo), Mesquita (O Estado de São Paulo), Nascimento Brito (Jornal do Brasil) e Saad (Band). Hoje este número está reduzido a cinco. As famílias Block, Levy, Nascimento Brito e Mesquita já não exercem mais o controle sobre seus antigos veículos."
No Brasil os monopólios de mídia sempre dizem que o Estado coloca em risco a liberdade de expressão (confundindo, portanto, liberdade de imprensa com liberdade de expressão). Entretanto, quem na verdade coloca em risco a liberdade de expressão são as próprias empresas monopolistas. A inexistência de pluralidade de informação reduz a liberdade de consciência, expressão e informação do cidadão brasileiro, obrigando o Estado a agir para corrigir as distorções impostas pelo mercado. Venício desfaz a confusão criada e divulgada pelos barões da mídia esclarecendo quem são os titulares da liberdade de imprensa, quem são os destinatários desta liberdade e quem são os verdadeiros titulares da liberdade de expressão. Explica, também, como e porque a constituição brasileira já possibilita combater o monopólio e limitar o poder das empresas de comunicação que exploram bandas de transmissão públicas.
"Dentro da realidade histórica globalizada do nosso tempo a censura foi em parte privatizada (cf. capítulo 4) e a origem do cerceamento da liberdade de expressão não pode ser atribuída ao Estado. Muitas vezes ela tem sua origem no poder econômico privado ou na autocensura."
A única censura que existe no Brasil é de natureza empresarial. É a censura praticada pelas próprias empresas monopolistas, que sempre procuram preservar os interesses (e os lucros) de seus anunciantes privados. Além disto, os monopólios de mídia impedem que vários grupos sociais tenham voz pública e possam, desta forma, interferir na agenda política. É através da autocensura, por exemplo, que os monopólios de mídia impedem o debate público sobre a regulamentação do art. 220, da Constituição Federal vigente:
"Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.
§ 3º - Compete à lei federal:
I - regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada;
II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
§ 4º - A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso.
§ 5º - Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.
§ 6º - A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade."

        Disponível em: http://www.jornaldedebates.com.br

Humoristas organizam protesto contra proibição de abordar candidatos


FÁBIO GRELLET
DO RIO 
18/08/2010 - 15h47

Humoristas de programas de TV, rádio e espetáculos teatrais vão promover um protesto, no próximo domingo, no Rio, contra uma norma que proíbe a veiculação, por rádio ou TV, de entrevistas ou montagens que "degradem ou ridicularizem" candidatos.
A emissora que veicular programa com esse teor pode ser multada pela Justiça em até R$ 106.410, valor que dobra em caso de reincidência.
A norma, que consta da lei 9.504/97 e foi regulamentada por resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), vale desde 1º de julho até o fim do período eleitoral.
Segundo os humoristas, a regra impede que os programas de humor falem sobre os candidatos, durante o período pré-eleitoral, e caracteriza censura à liberdade de expressão no humor.
"Estamos lutando para exterminar qualquer resquício de censura que ainda exista, somos a favor da democracia e, portanto, da liberdade de expressão. Essa lei é o exemplo de que, se não ficarmos atentos todo o tempo, o fantasma da ditadura pode voltar a nos assombrar. Deixem que as pessoas decidam por elas mesmas de qual piada devem rir", diz Fábio Porchat, um dos organizadores.
"Essa norma vale para TV e rádio, mas também influencia a internet e o teatro. Se a gente não pode fazer piada, os políticos também deveriam ser obrigados a parar de fazer piada com a gente", brinca Porchat.
Junto com Claudio Torres Gonzaga, Fernando Caruso, Paulo Carvalho e Léo Lins, Porchat compõe o grupo cômico de teatro "Comédia em Pé", que está liderando o ato. A passeata "Humor sem Censura" será realizada na praia de Copacabana (zona sul), às 15h do dia 22.
A concentração será em frente ao hotel Copacabana Palace. Em seguida os manifestantes seguirão a pé até o Leme, onde vão ler o manifesto "Humor sem Censura" e recolher assinaturas para um abaixo-assinado, que será entregue ao ator Sérgio Mamberti, presidente da Funarte (Fundação Nacional de Artes).
Mamberti deve encaminhar o documento ao ministro da Cultura, Juca Ferreira. O objetivo dos humoristas é que, a partir desse abaixo-assinado, Juca discuta a situação com o TSE para que a regra seja revertida.
Segundo os organizadores do evento, integrantes do "Rock Gol", "Pânico", "Casseta & Planeta", "Os Caras de Pau", "Melhores do Mundo", "Zorra Total", "Clube da Comédia", "Os Barbichas" e "Plantão de Notícias" já confirmaram participação na passeata. Também são aguardados Danilo Gentili ("CQC"), Marcos Mion ("Os Legendários"), Marcelo Adnet, Bruno Mazzeo, Leandro Hassum, Paulo Bonfá, Fabiana Karla e o cartunista Chico Caruso. Sites de humor, como Kibe Loco, Jacaré Banguela, Anões em Chamas, dentre outros, também estarão representados no evento. Ainda estão sendo convidados redatores de humor da TV, rádio e jornais, além de humoristas dos espetáculos em cartaz nos teatros. 
                                                Fonte:   http://www1.folha.uol.com.br

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Bullying


Como solucionar o problema do bullying na escola ou na internet?

Você já ouviu falar de bullying, se é que não travou conhecimento com o problema pessoalmente. De modo geral, bullying é o comportamento agressivo de um ou mais estudantes contra outro(s). O termo se origina de bully, que significa "valentão", em inglês. Esse tipo de violência ocorre principalmente nas escolas, tanto no ensino fundamental quanto no médio, mas não tem se limitado ao âmbito escolar: também já chegou à internet, de onde derivou a expressão cyberbullying. Com base nas informações apresentadas na coletânea que segue, faça uma dissertação em que você explique o que é bullying, dê sua opinião sobre o que, a seu ver, motiva aqueles que o praticam - isto é, os agressores - e apresente uma proposta para se lidar com esse grave problema. Como solucionar a questão do bullying?

Baixa autoestima


"O bullying está relacionado ao desenvolvimento de baixa autoestima, ao isolamento social e à depressão. Influencia a capacidade produtiva do adolescente-vítima, enquanto o agressor pode ser levado a adotar comportamentos de risco durante a fase adulta, como alcoolismo, dependência de drogas e até mesmo o uso da violência explícita."

[Aramis Lopes, coordenador do Programa Anti-Bullying da ABRAPIA, in Universia]


Cyberbullying


A prática do cyberbullying, ou intimidação virtual, representa um dos maiores riscos da internet para 16% dos jovens brasileiros conectados à rede. Isso é o que mostra uma pesquisa realizada em fevereiro de 2010 pela Safernet, ONG de defesa dos direitos humanos na internet, envolvendo 2.160 internautas do país com idades entre 10 e 17 anos.

Esse mesmo estudo indica que 38% dos jovens reconhecem ter um amigo que já foi vítima de cyberbullying - quando sofrem atitudes agressivas, intencionais e repetitivas no universo virtual, vindas de uma pessoa ou de um grupo. Os números mostram, no entanto, que apenas 7% dos entrevistados já ouviram o desabafo de seus amigos sobre a vivência de situações de agressão e humilhação na internet.

[Juliana Carpanez, UOL Tecnologia]

Disponível em: http://uol.com.br/educação.

Fenômenos naturais e tragédias. Responsabilidade de quem? Soluções?

A chuva não mata, quem assassina são os governantes.

Por Pedro César Batista
Ver a mídia responsabilizar a chuva pela centena de mortes ocorridas no Rio de Janeiro dá náuseas e uma dor no coração diante de minha impotência. Há milênios sabemos as conseqüências das chuvas fortes. A própria bíblia mostra o dilúvio como um castigo diante das impurezas humanas.
O que não se pode aceitar é que em pleno século 21, com a ciência e tecnologia oportunizando instrumentos e conhecimentos para enfrentar os dissabores e catástrofes da natureza, ver a chuva ser responsabilizada pelos fatos ocorridos na cidade maravilhosa. Ver governantes falarem que foi a maior chuva de todos os tempos, caindo de forma inesperada e impiedosa. Suas falas dão a entender que os pobres são os responsáveis por viverem pendurados nos morros, equilibrando-se como indigentes em meio à riqueza concentrada nas avenidas e prédios luxuosos, comandados de dentro dos palácios governamentais. Lembra uma tragédia grega.
Recentemente a população mundial ficou estarrecida diante da dor e do sofrimento da população haitiana, que explorada e abandonada secularmente a própria sorte, teve centenas de milhares de mortos devido um terremoto. Por que essas catástrofes não matam dessa forma quando ocorrem em certos países? Mesmo o Katrina mostrando os milhões de miseráveis abandonados nos EUA, os ricos de Miami não sofrem com os furacões ou terremotos. Cuba, exceção, enfrenta heroicamente as intempéries e revoltas da natureza e desse modelo político dominante, dando segurança a toda a sua população. Na Itália, terremoto recente, mostrou a preparação diante dessas situações, mesmo caso do México, que durante abalo sísmico ocorrido essa semana, deixou um saldo de dois mortos. Por que essa diferença?
Chama atenção ainda a falta de indignação do chamado movimento social e das organizações populares à prática dos governantes. Solidariedade se limita a algum tipo de doação. Uma caridade que não compromete os que estão seguros em seus privilégios. Chamo isso de omissão e desumanidade. É cada um por si, nesse salve-se quem puder.
O Brasil, candidato a país desenvolvido, feliz por trazer as Olimpíadas e a Copa Mundial de Futebol, ainda possui em seus governos figuras esdrúxulas, incapazes de fazer uma autocrítica, exercer a função pública que escolheram e de assumirem suas incapacidades, seja humana ou política. A mídia brasileira ainda reproduz o cínico discurso dos responsáveis por essas mortes, pelas enchentes, pela falta de escolaridade, pela alta concentração de renda, pela violência que grassa pelo país. Violência que tem como principais vítimas os abandonados pelo Estado, “condenados pela terra”, segundo Frantz Fanon, que ainda continuam aguardando a salvação divina, pois para eles não há governo, restando-lhes apenas os morros, a chuva e as bolsas assistências.
Resumo: 
A mídia brasileira ainda reproduz o cínico discurso dos responsáveis por essas mortes, pelas enchentes, pela falta de escolaridade, pela alta concentração de renda, pela violência que grassa pelo país. Violência que tem como principais vítimas os abandonados pelo Estado, “condenados pela terra”, segundo Frantz Fanon, que ainda continuam aguardando a salvação divina, pois para eles não há governo, restando-lhes apenas os morros, a chuva e as bolsas assistências.

Disponível em: http://www.jornaldedebates.com.br, acesso em 16/04/2010.